A REPRESENTATIVIDADE EM AGÊNCIAS DE P,P&MKT

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[MEUS DESABAFOS 03]

E lugar de mulher, é a onde? Se você pensou que é a onde ela quiser, vem comigo que é sucesso. Mas, se você pensa que é em casa, lavando louça… esse texto é exatamente para você. Senta aqui meu anjo, vamos conversar, vamos!?

Essa semana fui lindamente impactada por um texto da B9 onde pude ser informada que a Häagen-Dazs teve a excelente decisão de encerrar seu relacionamento com a agência global Saatchi & Saatchi, cuja parceria acontecia desde 2015. Agora, a marca de sorvetes está em busca de uma nova agência que “demonstre um compromisso com a inclusão de gênero através do equilíbrio de sua força de trabalho e sua cultura de agência”, segundo comunicado da empresa, e a vice-presidente e diretora de marketing da Häagen-Dazs, Jennifer Jorgensen disse mais: “É notoriamente difícil para as mulheres chegar ao topo da publicidade. Queremos fazer a nossa parte para ajudar a mudar essa dinâmica e apoiar agências que também apoiam o avanço das mulheres na indústria”. Eles também buscam uma agência que tenha uma abordagem de marketing mais ousada, corajosa e criativa, e que coloque os consumidores em primeiro lugar: “Nós escolhemos onde gastamos nosso dinheiro e estamos escolhendo gastá-lo com agências que compartilham nossos valores”, diz a vice-presidente. (Leia a matéria da B9 na integra aqui).

Bom, quando li tudo isso fiquei de queixo caído. Não sabia se chorava de emoção ou se batia palmas (fiz basicamente os dois, estou bem emotiva esses dias, não me julguem). É incrível como uma empresa se pré-dispõem a tomar tal atitude e me deixa extremamente orgulhosa saber que alguém está vendo o quanto muitas agências ainda possuem uma visão machista dentro delas.

Se vocês não trabalham na área não sabem o quão machista e opressor esse mundo pode ser, e não venham vocês me falar que não é. Pois é sim! Recentemente uma nova versão da lista “PIORES de agências para se trabalhar” rodou pela internet e vejam só: mais de 70% das reclamações eram sobre: assédio, discriminação salarial, não aceitarem as ideias por serem mulheres, mansplaining e abuso de poder sobre cargos, mulher que não subiu de cargo por ser mulher sendo que quem subiu não tinha competência, etc. Isso é o que mais acontece nesse mundo, tudo bem que não é só no meio da publicidade, propaganda e marketing. Mas estou falando do meio no qual tenho poder de falar sobre, ok?

Quantas vezes já falei de assuntos que tinha extremo conhecimento para falar sobre e tinha certeza absoluta, e não fui escutada e ainda debochada, por ser mulher? Para depois um homem falar a mesma coisa que eu e escutarem? Quantas vezes já vi amigas minhas sendo assedias por chefes? Quantas vezes já vi amigas não sendo promovidas, enquanto homens sem experiências nenhuma sendo contratados no lugar delas, apenas por serem homens?

Estamos no século 21! As agências precisam acordar, que somos mais do que capazes para lidereram uma campanha de sucesso. Que cada dia que passa, mais e mais marcas querem representatividade. E eu não falo só por ver mulher na liderança não. Falo em ver quem realmente merece!

Seja HOMEM, MULHER, LGBTQ, COR, RAÇA, ESTEREÓTIPO. Tem que ter diversidade. Sabe por que? Por que além de precisarmo ser respeitados dentro de qualquer lugar de trabalho, o público que se sentir representado, e quando não se tem diversidade dentro de uma agência, não se tem diversidade nas campanhas. Enquanto não se tem pessoas dentro de um lugar pensando diferente, menos uma campanha será abrangente e atingindo um público ainda menor. E o risco de errar é enorme.

Precisamos falar e é preciso aprender a escutar também!

Acabou aquele momento em que só um falava e só um estava certo.  

Ainda bem, né?

Que mais marcas tomem essa atitude, que mais marcas se posicionem e conheçam suas próprias agencias de mídias e saibam o seu dia a dia. Por que isso importa. O local de trabalho importa.

Assim como celebridades que não se sentem representadas pelas marcas, como Beyonce, que saiu de uma reunião na Reebok, por não ver ninguém ali que pudesse ser sua representante direta, quebrando assim a parceria com eles.

Não é só gênero, é cor, é raça, é estereótipo, é SER HUMANO.

E GALERA! Lutem pelo direito de fala de vocês! Só assim poderemos descobrir mais buracos negros por aí e liderar mais equipes! Tamo junto nessa!

Até a próxima!

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Lari Azevedo

Larissa Azevedo, ou apenas Lari, nasceu em 1988, na cidade de São Paulo, onde ainda reside. Desde pequena é apaixonada por arte, cores e literatura. Formada em Design Digital, é diretora de arte em uma agência de Comunicação. Além disso, é colaboradora do blog Burn Book e, como fuga, lê todos os livros que pode, escreve e brinca no Photoshop nas horas livres.

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